quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Os 5 Principais Arrependimentos de Pacientes Terminais


Bronnie Ware trabalha com pacientes perto do fim da sua vida – pacientes terminais. Neste post, ela escreve sobre os principais arrependimentos que vieram à tona aos seus pacientes em seu leito de morte. Os cincos principais seguem abaixo:

1. Eu gostaria de ter tido a coragem de viver uma vida verdadeira para mim, e não a vida que os outros esperavam de mim.

Este foi o arrependimento mais comum. Quando as pessoas percebem que sua vida está quase no fim e olham para trás, é fácil ver como muitos sonhos não foram realizados. A maioria das pessoas não tinham honrado a metade dos seus sonhos e morreram sabendo que era devido às escolhas que fizeram, ou deixaram de fazer.
É muito importante tentar realizar pelo menos alguns de seus sonhos ao longo do caminho. A partir do momento que você perde a sua saúde, é tarde demais. Saúde traz uma liberdade que poucos percebem, até que já a não têm mais.

2. Eu gostaria de não ter trabalhado tanto.

Isto veio de todos os pacientes do sexo masculino que eu acompanhei. Eles perderam o crescimento de seus filhos e o companheirismo do parceiro. As mulheres também citaram este arrependimento, mas como a maioria era de uma geração menos recente, muitos dos pacientes do sexo feminino não tinham sido chefes de família. Todos os homens que eu acompanhei se arrependeram profundamente de passar tanto tempo da sua vida com foco excessivo no trabalho.
Ao simplificar o seu estilo de vida e fazer escolhas conscientes ao longo do caminho, é possível não ter que precisar de um salário tão alto quanto você acha. E criando mais espaço em sua vida, você se torna mais feliz e mais aberto a novas oportunidades, mais adequado ao seu novo estilo de vida.

3. Eu gostaria de ter tido a coragem de expressar meus sentimentos.

Muitas pessoas resguardaram seus sentimentos para manter a paz com os outros. Como resultado, tiveram uma existência medíocre e nunca se tornaram quem eram realmente capazes de ser. Muitas desenvolveram doenças relacionadas à amargura e ao ressentimento que carregavam, como resultado.
Nós não podemos controlar as reações dos outros. No entanto, embora as pessoas possam reagir quando você muda a maneira de falar com honestidade, no final a relação fica mais elevada e saudável. Se não ficar, é um relacionamento que não vale a pena guardar sentimentos ruins. Você ganha de qualquer maneira.

4. Eu gostaria de ter mantido contato com meus amigos.

Muitas vezes os pacientes terminais não percebiam os benefícios de ter por perto antigos e verdadeiros amigos até a semana da sua morte, e nem sempre foi possível encontrá-los. Muitos haviam se tornado tão centrados em suas próprias vidas que tinham deixado amizades de ouro se diluirem ao longo dos anos. Havia muitos arrependimentos por não dar atenção a estas amizades da forma como mereciam. Todos sentem falta de seus amigos quando estão morrendo.
É comum que qualquer um, em um estilo de vida agitado, deixe escapar amizades. Mas quando você se depara com a morte se aproximando, os detalhes caem por terra. Não é dinheiro, não é status, não é posse. Ao final, tudo se resume ao amor e relacionamentos. Isso é tudo o que resta nos dias finais: amor.

5. Eu gostaria de ter me deixado ser mais feliz.

Este é surpreendente. Muitos não perceberam, até ao final da sua vida, que a felicidade é uma escolha. Eles haviam ficado presos em velhos padrões e hábitos. O chamado “conforto”. O medo da mudança os faziam se fingir aos outros e a si mesmos, enquanto lá no fundo ansiavam rir e ter coisas alegres e boas na vida novamente.

Vida é escolha. A vida é SUA. Escolha com consciência, com sabedoria, com honestidade. Escolha ser feliz.

Retirado de : http://pensandozen.blogspot.com/2011/11/os-5-principais-arrependimentos-de.html

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

A insustentável leveza...


Este capítulo é muito belo:

"Foi essa força dos acasos (o livro, Beethoven, o número seis, o banco amarelo da praça) mais do que esse cartão de visitas que ele lhe entregou no último momento que deu a Tereza a coragem de sair de casa e mudar de vida. Talvez tenham sido esses pequenos acasos (por sinal bem modestos e banais, dignos dessa pequena cidade insignificante) que acionaram seu amor, e que... se transformaram na fonte de energia onde ela se abasteceu até o fim.

Nossa vida quotidiana é bombardeada de acasos, mais exatamente encontros fortuitos entre as pessoas e os acontecimentos aquilo que chamamos de coincidências. Existe coincidência quando dois acontecimentos inesperados acontecem ao mesmo tempo, quando eles se encontram:

Tomas aparece no restaurante no momento em que o rádio toca Beethoven. Na sua imensa maioria, essas coincidências passam completamente despercebidas. Se o açougueiro da esquina tivesse vindo sentar à mesa do restaurante em vez de Tomas, Tereza não teria notado que o rádio tocava Beethoven. (Se bem que o encontro de Beethoven com um açougueiro seja também uma curiosa coincidência.) Mas o amor nascente aguçou nela a percepção da beleza, e ela jamais esquecerá essa música. Toda vez que a ouvir, tudo que acontecer em torno dela, nesse momento, ficará impregna do com seu brilho.

No princípio do pesado livro que Tereza carregava embaixo do braço no dia em que viera para a casa de Tomas, Ana encontra Vronsky em circunstâncias estranhas. Estão na plataforma de uma estação e alguém acabara de cair sob o trem. No fim do romance, é Ana que se atira sob um trem. Essa composição simétrica, onde o mesmo tema aparece no começo e no fim, pode parecer até romântica. Admito que seja, mas somente com a condição de que romântico não signifique para você uma coisa inventada, artificial , sem semelhança com a vida. Porque é assim mesmo que é composta a vida humana.

Ela é composta como uma partitura musical. O ser humano, guiado pelo sentido da beleza, transpõe o acontecimento fortuito (uma música de Beethoven, a morte numa estação) para fazer disso um tema que, em seguida, fará parte da partitura de sua vida. Voltará ao tema, repetindo o, modificando-o, desenvolvendo-o e transpondo-o, como faz um compositor com os temas de sua sonata. Ana poderia ter posto fim a seus dias de outra maneira. Mas o tema da estação e da morte, esse tema inesquecível associado ao nascimento do amor, atraiu-a no momento do desespero por sua sombria beleza. O homem inconscientemente com põe sua vida segundo as leis da beleza mesmo nos instantes do mais profundo desespero.

O romance não pode, portanto, ser censurado por seu fascínio pelos encontros misteriosos dos acasos (como o encontro de Vronsky, de Ana, da estação e da morte, ou o encontro de Beethoven, de Tomas, de Tereza e do copo de conhaque), mas podemos, com razão, censurar o homem por ser cego a esses acasos na vida quotidiana, pois ele assim priva sua vida da uma dimensão de beleza."

Milan Kundera - A insustentável leveza do ser.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Farei desta página um local para compartilhar idéias bonitas sobre a Terra, o Céu, o que está dentro de nós e fora de nós. O que ,muitas vezes, no nosso dia-a-dia "borbulhante" não nos permitimos sentir. Muitas mensagens de positividade, chegam, entram e passam. Aparentemente ,pequenas sensações sobre a vida.Gostaria de compartilhá-las com quem quiser sentir também.Criaremos um espaço de compartilhar boas vibrações.
O texto que segue abaixo, recebi hoje, por e-mail, sobre doenças, já havia lido algo sobre, aí está mais um pouquinho...

Ouvi pela primeira vez há uns 15 anos atrás, através do psicólogo Luiz A. Gasparetto, que a doença seria um alerta do nosso corpo para mudarmos um determinado tipo de comportamento. Aquilo fez todo o sentido pra mim, pois acredito que o nosso corpo se comunica conosco de muitas formas e a doença certamente é uma delas. Algum tempo depois conheci o trabalho da Louise Hay, autora do livro – "Você pode Curar sua Vida". Louise nos diz que toda doença é um reflexo dos nossos pensamentos e crenças interiores. Neste livro consta uma lista de doenças e os prováveis padrões mentais causadores daquelas enfermidades.
Outro livro maravilhoso sobre este tema é "A Doença Como Caminho", de Rüdiger Dahlke e Thorwald Dethlefsen, que trata do conteúdo psicológico associado a vários tipos de doenças e incidentes, os quais por não conseguirmos trabalhar adequadamente em nossa psique, passam a fazer parte da nossa "sombra", não sendo percebidos conscientemente, manifestando-se então em nosso corpo físico, para que assim os possamos vivenciar, superar e integrar seus conseqüentes desafios e ensinamentos.



Infecção - um conflito que se materializou. No caso de contrairmos uma doença infecciosa, devemos nos fazer as seguintes perguntas:
1 - Qual o conflito existente em minha vida que até agora eu não vejo?
2 - Que conflito estarei evitando?
3 - que conflito tento fingir que não existe?
Para descobrir que conflito se trata, basta prestar atenção ao simbolismo do órgão afetado ou da parte doente do corpo.

Alergia - uma agressividade que se materializou.
A pessoa alérgica deve fazer a si mesma as seguintes 
perguntas:
1 - Por que não suporto tomar consciência da minha agressividade, e a transfiro para a manifestação corporal?
2 - Quais âmbitos da vida me inspiram tanto medo que procuro evita-los?
3 - Como encaro o amor, qual é a minha capacidade de amar?

Problemas respiratórios - Assimilação da Vida.
1 - O que me faz sentir falta de ar?
2 - O que me recuso a aceitar?
3 - O que estou evitando dar?

Males Estomacais e Digestivos

1 - O que não posso ou não quero engolir?
2 - Algo está me moendo por dentro?
3 - Como lido com meus sentimentos?
Doenças Hepáticas
1 - Em que âmbitos perdi a capacidade de fazer uma avaliação e uma discriminação corretas?
2 - Onde é que não consigo mais decidir entre aquilo que posso suportar e aquilo que é um "veneno" para mim
3 - Em que sentido ando cometendo excessos? Até que ponto estou "voando alto demais" (ilusões de grandeza) e onde venho ultrapassando os limites?

Doenças dos Olhos
Quem tiver problemas com os olhos, deve responder às seguintes perguntas:
1 - O que não desejo ver?
2 - Minha subjetividade tem impedido meu autoconhecimento?
3 - Deixo de ver a mim mesmo nos acontecimentos?
4 - Uso a visão para obter uma percepção mais elevada?

Doenças de Pele
Quem teve afecções cutâneas deve fazer a si mesmo as seguintes perguntas:
1 - Acaso estou me isolando demais?
2 - Qual é a minha capacidade de estabelecer contatos?
3 - Por trás da minha atitude defensiva não há um desejo de intimidade?

Doenças Renais
Quando temos alguma coisa nos rins devemos fazer a nós mesmos as seguintes perguntas:
1 - Quais problemas me afligem no âmbito conjugal?
2 - Acaso tenho tendência a estagnar na projeção e, desta forma, a considerar os erros do meu parceiro como problemas que só dizem respeito a ele?
3 - Ando me apegando a velhos problemas e, deste modo, interrompendo o fluxo do meu próprio desenvolvimento?
Problemas na Bexiga
1 - A quais âmbitos me apego, embora ultrapassados, e fico na espera de serem eliminados?
2 - Em que ponto me coloco sob pressão e a projeto para os outros (exames, o chefe)?
3 - Que assuntos gastos devo abandonar?
Doenças Cardíacas
1 - Há equilíbrio entre meu coração e minha cabeça, entre a compreensão e o sentimento? Eles estão em harmonia?
2 - Dou espaço suficiente para meus próprios sentimentos, me atrevo a demonstra-los?
3 - Vivo e amo de todo coração ou apenas participo, sem grande entusiasmo?
Distúrbios do Sono1 - Até que ponto dependo do poder, do controle, do intelecto e da observação?
2 - Acaso consigo me desapegar?
3 - Como desenvolvo minha capacidade de entrega e minha sensação de uma confiança básica?
Uma necessidade exagerada de dormir suscita as seguintes questões: 
1 - Ando fugindo da atividade, da responsabilidade, da conscientização?
2 - Tenho medo de acordar para a realidade da vida?

Louise Hay afirma que somos 100% responsáveis por tudo de ruim que acontece no nosso organismo. "Todas as doenças tem origem num estado de não-perdão", diz a autora. Sempre que estamos doentes, necessitamos descobrir a quem precisamos perdoar. Quando estamos empacados num certo ponto, significa que precisamos perdoar mais. Pesar, tristeza, raiva e vingança são sentimentos que vieram de um espaço onde não houve perdão. Perdoar dissolve o ressentimento. Veja a seguir, uma relação de algumas doenças e suas prováveis causas elaboradas pela psicóloga Louis L. (fonte: A Doença como Caminho):
DOENÇAS/CAUSAS:
AMIGDALITE: Emoções reprimidas, criatividade sufocada.
ANOREXIA: Ódio ao externo de si mesmo.
APENDICITE: Medo da vida. Bloqueio do fluxo do que é bom.
ARTERIOSCLEROSE: Resistência. Recusa em ver o bem.
ARTRITE: Crítica conservada por longo tempo.
ASMA: Sentimento contido, choro reprimido.
BRONQUITE: Ambiente família inflamado. Gritos, discussões.
CANCRO: Mágoa profunda, tristezas mantidas por muito tempo.
COLESTEROL: Medo de aceitar a alegria.
DERRAME: Resistência. Rejeição a vida.
DIABETES: Tristeza profunda, perdeu a doçura da vida.
DOR DE CABEÇA: Autocrítica, falta de autovalorização.
ENXAQUECA: Medos sexuais. Raiva reprimida. Pessoa perfeccionista.
FIBROMAS: Alimentar mágoas causadas pelo parceiro.
FRIGIDEZ: Medo. Negação do prazer.
GASTRITE: Incerteza profunda. Sensação de condenação.
HEMORRÓIDAS: Medo de prazos determinados. Raiva do passado.
HEPATITE: Raiva, ódio. Resistência a mudanças.
INSÔNIA: Medo, culpa.
LABIRINTITE: Medo de não estar no controle.
MENINGITE: Tumulto interior. Falta de apoio.
NÓDULOS: Ressentimento, frustração. Ego ferido.
PELE (ACNE): Individualidade ameaçada. Não aceitar a si mesmo.
PNEUMONIA: Desespero. Cansaço da vida.
PRESSÃO ALTA: Problema emocional duradouro não resolvido.
PRESSÃO BAIXA: Falta de amor quando criança. Derrotismo.
PRISÃO DE VENTRE: Preso ao passado. Medo de não ter dinheiro suficiente.
PULMÕES: Medo de absorver a vida.
QUISTOS: Alimentar mágoa. Falsa evolução.
RESFRIADOS: Confusão mental, desordem, mágoas.
REUMATISMO: Sentir-se vítima. Falta de amor. Amargura.
RINITE ALÉRGICA: Congestão emocional. Culpa, crença em perseguição.
RINS: Crítica, desapontamento, fracasso.
SINUSITE: Irritação com pessoa próxima.
TIREÓIDE: Humilhação.
TUMORES: Alimentar mágoas. Acumular remorsos.
ÚLCERAS: Medo. Crença de não ser bom o bastante.
VARIZES: Desencorajamento. Sentir-se sobrecarregado.

Mais um livro excelente com esse mesmo tipo de abordagem é: Metafísica da Saúde – vol I, II e III- de Valcapelli & Gasparetto. Outro que recomendo: "A Linguagem do Corpo" de Cristina Cairo.
Imagem: Joan P. Falquet - fonte:Kátia Bueno'


quarta-feira, 23 de março de 2011

Afinidades

Primeiro ato:

Pediu que entrasse, entrei. Dedilhou canções que ecoaram dentro, fizeram sintonia nas cortinas amassadas daquela casa mal esquecida, aproximaram-se. Sentiram-se próximos um do outro como se já fizessem trocas há muito tempo, traziam de outra vida. Sensações mal escolhidas ficaram claras desde aquele instante. Um, uma pessoa antiga, o outro conhecedor daquela pessoa antiga. E todo aquele passado, aquilo mal resolvido de que um dia já tiveram algo em comum, estaria junto até que transcendessem aquela etapa da vida.
   Sou simpatizante dos gatos escuros, me trazem um tom de infinito, de profundo, de mim mesma. Não tinham os mesmos gostos, pequenos níveis materiais, mas a leitura da alma faziam diariamente. Sou conhecedor do mistério da alma dos homens, deslizo entre as consciências e isso apenas me satisfaz.
   Enquanto ela mostrava, não apenas seu corpo, mas todos seus órgãos internos para ele, ele lhe dizia que tinham que ser mais, ser além. Deixar que suas almas sobrevoassem o planeta em uma projeção astral, talvez, e alcançassem a felicidade. Posso lhe mostrar como aprendi o amor, posso tocá-lo por dentro. Ele lhe tocava por fora, e acendia uma luz com todo o seu saber sobre ela.
   No outro dia, e depois no outro, foram àquela cachoeira, sentir o quanto a natureza fazia parte deles, e como aquela água se fazia em forma de mulher. Ele, sem dizer nada, procurava naquela água o cheiro da feminilidade, as formas côncavas. Um mal estar, sabia ela que não eram apenas duas almas, dois seres que se entendiam e se entrelaçavam, ele era homem.
  Aqui vai ser a nossa casa, os móveis serão peças antigas encontradas em becos ainda não percebidos , dormiremos no chão, as gotas que limparão o chão serão do meu corpo. Aqui faremos a nossa poesia, viveremos de amor, ah sim o tão esperado amor. Amor que não tivemos daqueles que nos acompanharam no mundo, amor que criaremos, inventaremos, agora.
   Nasceu um outro ser da convivência diária, os hábitos ainda úmidos, heranças dos pais. Logo, os desgastes se mostraram contentes pelo descontentamento. E depois, com o perceber da vida lá fora, o buraco negro em cada um, ficaram descontentes pelo contentamento, acomodados. O sol fazia um desenho escuro na grande janela, única daquele único cômodo. Era ,agora, outono. Roupas de grande abraço, coloridas, penduraram-se em cabides pela sala, presos em ferros amparados somente por uma parede branca. Era muito bom acordar todos os dias e olhar os traços bem feitos daquele rosto quase triangular. Era assim que se sentia quando o olhava. Ele ao contrário, só desejava bom dia as grandes almofadas amarelas do chão da sala, depois das três da tarde. Era tarde, e já estavam sós.
  O pequeno espaço entre os móveis servia para apresentação de uma peça em cartaz, peça em comum. Jamais sentimos isto antes, somos tão um do outro, que estamos cansados. Todas as nossas angústias são agora comuns, sentimos juntos. Se fazia angustiada para agradá-lo, descobriu que assim sabia ser profunda, ele dizia só gostar do que havia por debaixo de tudo, ele era quase um ser com luz própria. Ela aprendiz, mas sabia que era ela quem ensinaria tudo para ele.
  Sou tão inconstante que não canso de ser uma a cada dia, hoje sou o que você quer, depois serei a outra, aquela que irá te arrancar os olhos. Não tinham família, a vida era do próprio sustento, ela reinventava uma arte que captava no ambiente para fazer o seu salário máximo. Ele , tranqüilo, esperava a hora em que ela iria entrar pela porta, e correndo pegar o pão, e enfiar inteiro entre os dentes. O que eu mais gosto em nós é a noite, sinto que me cuida, ela sentiu, sinto que você se dobra, ele quis.
 Já não podia ver seus pais, afinal nem sabia da verdadeira existência deles, ela sentia uma falta. Ele reconstruía um retrato da família, e limpava com pano seco todos os dias. Não gosto da sua casa, do jeito que me olham, que olham para nós. Prefiro a segurança das nossas quatro paredes, cuidarei de você até o fim. Ela acreditou nele, entregou os objetos da caixinha que ficava em cima do guarda-roupa, os livros, os assuntos, o frio, o calor, tudo . Ele retirou com as unhas entre os lábios ,uma oração, serei seu único.
 Sonharam com uma noite em que os corpos não se comunicassem mais, mantiveram-se deitados, um ao lado do outro, e sentiram que queriam sair pela porta estreita, de mãos dadas.  


segunda-feira, 21 de março de 2011

Nossa condição,


 Sinto que é por meio deste, e vômito de dentro, que senti necessidade de manifestar a minha cólera e a minha angústia de vida nesta sociedade. Acreditava, até ontem,a possibilidade do amor entre dois seres, especificamente homem e mulher, a tal da relação padrão na sociedade, heteronormalidade.
  Com o tempo você descobre que o bolo que fez ontem para seu marido é tão significante quanto as mulheres com as quais ele idealiza um momento sexual, quanto os órgão genitais, que ele toca, de todas as mulheres com o cheiro da fêmea aguçada e reprimida que um dia ele sonhou em comer. Descobre ainda, que não adianta a sua liberdade diante da vida, ao amor, a compreensão do sexo como parte de um todo que flui de dois seres. Para o homem, o seu corpo perfumado e tão escolhido para ser dele, na sua concepção, não é mais do que uma linda anca que irá dar muito prazer, na concepção dele.
 Talvez o grande conflito esteja no modo como fomos educados, os conceitos enraizados, a rede do pensamento. Estamos presos a achar que temos de ter um parceiro ideal, e muitas vezes passamos a vida esperando por isso. Quer dizer, acredito, que a maioria das pessoas, aqui nesta nossa cultura, esperam por isso, buscam isso, fazem a vida valer por conta disso. Se não fosse assim, não teríamos tantas músicas estorando na cultura de massa que têm como única proposta o tema do amor, da paixão, dos corpos.
 Acontece que o que não explicam para agente, ou talvez não deixem que esta informação flutue livre entre nós é que os homens e as mulheres não sentem este tal do “amor” da mesma maneira, ou se alguma vez sentiram, é por muita afinidade existencial, coisas das quais não se sabem os porquês e não fazem parte do “todo dia”.
  Para a mulher, o homem que ela deseja é um príncipe encantado, o parceiro ideal, companheiro, que cuide dela e esteja atento as mudanças que ela entende diariamente. O homem deseja uma mulher que supra suas necessidades sexuais, seu fogo interno, e que seja uma boa mãe, atenciosa, e cure suas dependências. Acreditar que é possível um amor livre e ideal entre estes dois seres? Possível?
 Quando dispostos para sentirem os corpos, o homem faz questão, pela própria natureza de separar totalmente este “amor” do ato sexual, para ele a mulher que cuida dele, a segunda mãe, é tão especial, mas é melhor ainda quando se deita para ele e faz um bom sexo. Enquanto a mulher envolve-se toda com seu emocional, talvez todas as mulheres sintam isso. Ele me ama? Estou bonita? Estou atraente? Sou única? Como ele me vê...
  Aprender a aceitar e ver de um outro ângulo do poliedro, ou passar a existência aqui nesta vida a sentir-se insatisfeita, até que apareça o ator do filme, no final do filme, e  faça o papel de que o “parceiro ideal” é possível sim de existir, depois de muita luta.
 Já não sei qual o verdadeiro valor nisso tudo, o ser humano inventou um dia que teríamos de utilizar panos para nos cobrirmos, as roupas, que hoje são um grande mercado e tema para muito assunto. Um dia elas serviram para nos protegermos contra choques mecânicos e das temperaturas do planeta. Hoje além de tudo isso, são também motivo para escondermos nosso corpo,e criarmos um conceito de proibição e repressão pelo corpo escondido. O pênis ou a vagina que não podem ser vistos pelas ruas andando, e indo fazer compras na padaria, é motivo para jogo sexual de atrações e desejos proibidos quando escondidos por debaixo das roupas. Assim as mulheres utilizam de um acessório chamado “decote” , um outro chamado “calcinha enfiada”, roupas curtas, e tudo para se tornarem atraentes, na luta existencial pelo seu macho e para ganharem frente as outras fêmeas. Se fossem todos tão tranqüilos quanto ao corpo, não veriam mal em andarem nus quando bem sentirem que querem mostrar o que possuem. Se eu quero mostrar a minha vagina para ele, eu mostro logo, oras.
   Então criaram entre as multimídias, a indústria do sexo, a pornografia, para aqueles insatisfeitos com a coisa, ou mal resolvidos. Belas mulheres nuas e proibidas ,para as esposas, oferecendo através de imagens um pouco do sexo daquele que você não tem em casa. Fingindo orgasmos tão mal fingidos, e se dobrando e gemendo diante dos poderosos homens com seus grandes pênis vencedores. Os homens ejaculam e todo o prazer da cena acaba, e que venha a próxima gostosa da fila. Realmente não entendem nada do corpo das mulheres, da relação do prazer para elas.  Não consigo entender o que levam estas mulheres a quererem fazer parte de todo este jogo. Acharem-se lindas, e tão enganadas pela indústria do padrão de beleza,  a ponto de quererem fazer do corpo algo de contemplação para outros? Se elas mesmas vivem insatisfeitas por não acharem um parceiro ideal que as compreenda, e vivem em busca disso. O tal do caos.
  Ainda me vem um verso de uma música recente, da cantora brasileira Maria Gadú “ Homem feliz, mulher carente. A linda rosa perdeu pro cravo...”. E é assim.
  Há muitas teorias, devem se lembrar de alguma, que apresentam este comportamento do ser humano a partir da visão biológica. É do corpo, é do homem, é dos hormônios, é da mulher. Mas vai muito mais além disso, toda essa nossa genética desencadeia sintomas na nossa mente, na nossa atuação diária. Vivemos insatisfeitos por buscarmos a satisfação no outro, por acreditarmos que nossa felicidade está relacionada ao encontro da pessoa amada. E a tal da pessoa amada, não nos ama por inteiro, metade é para nós e outra para a satisfação sexual.
  Talvez todas estas questões façam parte do grande questionamento existencial, o porquê disso tudo, o porquê de estarmos neste mundo, para onde vamos. Porém se começarmos a questionar situações doentias na nossa sociedade, como essa, e passarmos a não querer mais contribuir para isto,  querer ser livres, de toda esta rede de pensamento, todo esse sofrimento, talvez, conseguiríamos amar mais, com mais amor, a tudo e a todos. Sem achar que devo guardar o meu amor, e que,  a minha felicidade está relacionada a um certo “companheiro ideal” e acreditar que eu devo encontrar ele e ele deve me completar. Poderiamos somar mais, utilizar a palavra amor de uma forma mais bonita. Isso é realmente difícil.
Um dia ela me contou o que escreveu...
Rayssa.